quinta-feira, 8 de março de 2007

Sobre poesia, escrevinhadores e outras esquisitices

Pirilampulam blogs de poesia. Jornais as publicam diariamente. Na tv, é chique. Baita-machos confessam ler e até escrever uns versos. A literatura retoma ao lirismo seu patamar de nobreza.

O que deu no povo para render-se ao poema?

Escrevinhadores são seres estranhos. Incapazes para qualquer profissão ou vagabundos. Os melhores são ambos. Escrevem pois é uma ânsia irresistível, íntima, reveladora dos segredos, preconceitos, opiniões polêmicas. Tão pessoal que alguns jamais revelam suas preciosidades, engavetam e pronto.

A interNerd difundiu esses tesouros. Expôs ao mundo aqueles versinhos do fundo da alma. Milhares de poetinhas encontraram um varal para pendurar suas composições. Esses escrevinhadores, estranhos, descobrem que escrever bem não é mérito raro. Pior: percebem que a poesia é, na verdade, sentimental. Não basta um bom texto, tem que dar sorte do leitor estar no “momento” certo para ler.

Daí, os tecladores malucos que adoram resfolegar baba nos textos dos amigos, se aplicam em elogiar a todos como uma metralhadora giratória, esperando acertar alguém que o elogie de volta. Um ciclo, viciado e imprestável, que não é verdadeiro nem capacita os debatentes.

Por outro lado, os neuróticos digitadores também percebem que há bons ou, quiçá, maravilhosos poetas que usam a rede como mais um meio para construir a literatura. Repito: construir. Os bons poetas crescem ao ler textos alheios, ao receber críticas embasadas e, principalmente, quando divulgam na rede uma visão poética sensível, responsável, preocupada em difundir a poesia não como forma de engrandecimento pessoal, mas numa concepção mais humana, que aproxime as pessoas através dos sentimentos comuns, das tristezas, dos sonhos perdidos, daquilo que faz de todo homem um irmão: o amor.

Esta excentricidade poética existe desde sempre, por todo lado, sem tabu de sexo, cor ou nível. Faz do homem um igual, conversa sem linguagem, exibe o que os maus escondem: a nossa fraqueza. E, assim, nos abraça como espécie.

(-Espécie? -É. Sapien. -Ah)


9 comentários:

Prosa Mineira disse...

Obrigada, amigo, pela visita e pelo bonito poema que me deixou. Volte sempre!
Adorei seu site e sua cronica. Parabéns.

Maria Lúcia

Miguel do Rosário disse...

bonito isso que você disse, mao, abraço

CARMEN disse...

Mao, Como vai voce? Muito obrigado por escrever e visitar mi blog. Me desculpe por minha escritura porque no se falar portugues :) ... como estuvo o carnaval?
Espero que voce venha y se passea por mi blog outra vez... temos gosto comum.
Adeus! Beijos colombianos...

Klotz disse...

Estamos cansados de ouvir que todos os pais são cegos quando se trata da beleza dos filhos. Também sabemos que os pais defendem incondicionalmente seus rebentos. Por piores que sejam. Todos elogiam hipocritamente crianças de colo.
Mesmo para os espantalhos, olham e dizem: – Que lindo bebê! Que fofura!

Um texto nosso, é nossa cria, é nosso filho. Queremos, desejamos, ansiamos elogios.
Pensando que nos fazem o bem, elogiam. É o que a grande maioria faz, simula agrado ou se isenta.

Este é o grande diferencial do Bar dos Escritores, lá na comunidade do Orkut, há críticas. Quando alguma coisa não é boa há vários comentários sinceros e geralmente alicerçados.

É por estas e outras que aquele Bar é tão movimentado e têm tantos comentários por tópico.

Bruno disse...

Não gosto muito de poesia melosa, não gosto de nada meloso... Poesia sim, melodrama não... Pra falar a verdade, quanto mais CDF e mais idiota for, melhor...

Té mais :D

Duda disse...

fugindo um pouco dos blogs e da literatura, acho que a arte é um dos espaços mais democráticos da nossa sociedade. qualquer alfabetizado pode conseguir um lápis e um caderninho pra começar a escrever as suas prosas, poesias... assim como um analfabeto pode começar a fazer os seus desenhos pelos cantos.

e não só nas artes plásticas e na literatura, por exemplo no cinema em que qualquer jovem de classe média com um pouco de esforço (ou sem esforço algum) consegue uma câmera digital e um computador pra fazer um filme e divulgá-lo no orkut, youtube...

as possibilidades vêm se ampliando

dahl disse...

Mão, posso perguntar - unicamente por curiosidade pessoal - se tiver festivais/encontros de poesia em Brasil? Onde, quando e como poderia obter mais informacão deles? Toda a ajuda será apreciada! (Quem sabe, se eu algum dia chegaria ao terra do Brasil para propagar o evangelho da minha poesia exótica finlandesa...)

E obrigado pela suva visita no meu blog. É sempre agradável de ter visitantes fora do seu proprio país, e poetas especialmente, naturalmente.

ana maria costa disse...

mão escusado dizer que gostei do que li.

e mais não digo!

talvez o devesse fazer mas, por outro lado não o devo fazer! entendes?

esse espelho de areias letras tocou-me, é só!

Me Morte disse...

eu virei fã incondicional desse cara a partir desse texto...giovani, onde está vc?
17/03/2009