segunda-feira, 9 de março de 2009

crônica O escritor e o motoqueiro

Ontem, depois de muito tempo maquiando minha depressão (que é hormonal, física e real) com o sorriso amarelo da falsidade, acalmando meus desgostos com maciças doses de reclusão, me senti satisfeito, eu não estava atrasado nem devedor. Levei os arquivos do livro para a editora, paguei as contas, as idéias estavam no lugar, aquela sensação opressiva de que tem algo errado me dava uma folga.

O dia estava lindo, o sol quente no céu azul, o vento refrescante brincava com os cabelinhos dos meus braços, que ficam estendidos enquanto piloto minha motoca. Eu tinha resolvido uma sinuca em que meti o personagem Mão Branca no conto que andava escrevendo, a solução era tão boa quer resolvi acelerar para escrever logo a história.

O carro à minha frente iria atravessar um cruzamento, havia espaço suficiente, porém a motorista (sim, tive tempo de olhar o condutor) resolveu parar, ali, de sopetão, quase peando as rodas. Eu contava com sua aceleração, iria passar com a moto no lugar em que o carro não estaria mais. Estava a 04 metros do carro, a 60 km/h. Ainda pude pensar: putz, bastou ficar satisfeito por alguns segundos, será perseguição?


Leia o resto aqui.

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publicada na Revista Virtual Partes.

2 comentários:

Flavio Bressan da Luz disse...

Gostei!

Aline disse...

Adorei! Estou aqui, matando o dia de trabalho, em casa, doente e leio um texto ótimo desse. Sério, ri muito com este diálogo culto entre motoqueiros, eu que sou motoqueira nova, me envergonho em dizer, de uma POP100, senti vários sentimentos: satisfação, alegria e, por fim, uma ponta de tristeza pelo motoqueiro.
Seu post meu incitou um desejo crescente em adquirir seu livro.
Parabéns pelo texto divertido e real.
Abraços!